Domingos Sousa: “A autarquia de Braga tem cada vez mais um papel importante na saúde da  comunidade”

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O Município de Braga tem, a cada dia que passa, uma preocupação maior com a saúde de todos os bracarenses. Sabendo que é crucial trabalhar em equipa tem desenvolvido parcerias com instituições que podem e querem ver Braga no melhor caminho.

O director do Agrupamento de Centros de Saúde de Braga Domingos Sousa é um dos que luta diariamente para que Braga detenha cuidados de saúde primários de excelência. O recém nomeado Domingos Sousa falou connosco e levantou o véu acerca dos projectos que pretende implementar e a parceria com o Município de Braga .

Que tipo de “testemunho” lhe foi passado quando veio substituir a Engª Cristina Ferreira ? Quais eram as principais preocupações e/ou prioridades para a região de Braga?

Todos os directores executivos que por aqui passaram, tiveram um contributo muito importante para que o ACeS de Braga tenha o nível de desempenho que tem hoje.

O ACeS tem como objectivo promover a prevenção, o diagnóstico, o tratamento da doença e a reabilitação através do planeamento e da prestação de cuidados bem como do desenvolvimento de actividades especificas dirigidas globalmente ao indivíduo e à família.

Então não é um início, mas antes uma continuidade…

No fundo o grande objectivo é dar continuidade à Reforma Dos Cuidados de Saúde Primários numa perspectiva de melhoria da capacidade da rede de cuidados de saúde primários, de melhoria da qualidade e da efectividade da primeira linha de resposta do SNS, baseado na equidade e na garantia de acesso a cuidados de proximidade.

O que é que estava identificado como prioritário para 2019?

Para além da reconfiguração das Unidades Funcionais nomeadamente com a criação de novas Unidades de Saúde Familiar, neste momento temos 2 USF acreditadas – a USF de Gualtar e a USF Manuel Rocha Peixoto por parte da Direção-Geral da Saúde (DGS), com grande envolvimento da Administração Regional de Saúde (ARS) Norte, I.P., adicionalmente, a USF + Carandá, a USF S. João de Braga e a USF Maxisaúde encontram-se, por sua vez, em candidatura para o Processo de Acreditação. Um dos objectivos passa por estreitar ligações com o Hospital de Braga em conformidade com o preconizado pelo SNS+ Proximidade centrado em 2 ideias fundamentais “a integração dos cuidados de saúde e a centralidade do cidadão nos sistemas de Saúde” 2019 é um ano importante de consolidação dos cuidados de saúde primários sendo um dos objectivos a promoção e prevenção da saúde individual e familiar através dos rastreios populacionais. Atribuição de médico de família a todos os utentes inscritos no ACeS de Braga. Aposta nos rastreios para prevenção da doença.

Que perfil populacional podemos traçar a partir dos dados da taxa de mortalidade, que apontam como principais causas de morte as doenças cardio e cerebrovasculares? Que tipo de actuação poderá travar estes valores?

De acordo com os dados fornecidos pela Unidade de Saúde Pública explanados no Plano Local de Saúde, a taxa bruta da mortalidade (TBM), dados de 2017 foram de 7 óbitos por cada mil pessoas, valor inferior ao verificado na região Norte e Continente. Relativamente à mortalidade por doenças cerebrovasculares tem apresentado valores oscilatórios, mas de 2015 para 2016 aumentou. A cardiopatia isquémica, terceira principal causa de mortalidade em Braga diminuiu em 2016. Sendo uma das uma das preocupações do Aces no âmbito da promoção, prevenção e proteção da saúde com estratégias locais de saúde, mobilizando para o efeito as comunidades locais. Neste momento estão a decorrer no Aces de Braga o Rastreio do Cancro da Mama, Rastreio do Cancro do Colo do Utero, O rastreio Visual Infantil e o Rastreio da Retinopatia Diabética, está em curso o Rastreio do Colon e Reto. Tivemos também o rastreio da Concavidade Oral numa parceria com a Câmara Municipal de Braga e a Liga Portuguesa contra o Cancro. Nos rastreios somos o melhor Aces da região Norte, na prestação de cuidados aos cidadãos e dos resultados em saúde estamos no “top 5” da região Norte.

 Temos também a maior taxa de obesidade do país. Sendo que o Município lançou o programa PMCO (programa municipal combate à obesidade) acredita que este possa ser um ótimo arranque para uma parceria que promete crescer em prol dos bracarenses?

Infelizmente a taxa de obesidade atinge números preocupantes a nível nacional. A autarquia de Braga tem cada vez mais um papel importante na saúde da  comunidade nomeadamente na promoção da saúde no âmbito de Programas de Saúde e na Promoção da prática de exercício físico.

Importa assim que estas 2 Instituições trabalhem em conjunto com partilha de informação e de recursos  de forma a que possamos promover um estilo de vida mais saudável através do exercício físico.

 Qual foi a sua maior preocupação quando se reuniu com o departamento de saúde da Câmara Municipal de Braga para definir futuras estratégias?

Desde que tomei posse, já reuni 4 ou 5 vezes com a Câmara Municipal de Braga, aliás a Dra Sameiro Araujo faz parte do conselho da comunidade do Aces de Braga. Uma das preocupações do Aces é chegar à comunidade. Contamos para o efeito com a colaboração da Câmara de Braga tanto para divulgação dos nossos eventos, como dos rastreios.

Que dificuldades enfrentaram e que decisões poderão vir a ser tomadas para combater as lacunas que persistem até hoje?

Elevada imigração de indivíduos que nos obriga a repensar os serviços de forma que estes possam ter um acompanhamento adequado, temos tido um número crescente de inscrições de utentes sem médico de família que a breve prazo espero ter toda a população de Braga inscrita em Unidades de Saúde Familiar..

 Em termos de políticas de saúde pública, o que está pensado para o futuro a breve prazo?

O Plano de Saúde Local que faz um diagnóstico do setor no concelho de Braga aponta para algumas causas de morte mais preocupantes em matéria de saúde publica: as doenças cardiovasculares, alguns cancros. De facto as principais causas de óbitos no concelho de Braga foram os tumores malignos, as doenças cardiovasculares e as cardiopatias isquémicas. No caso dos tumores malignos temos respondido através dos rastreios conforme Plano Estratégico da ARS Norte. Temos a prevenção do tabagismo, diabetes, doenças oncológicas, saúde oral, saúde da visão e a vacinação. Dentro das doenças oncológicas temos vários rastreios de base populacional e tem sido na área do ACeS de Braga que mais população tem aderido a essa prática, a mamografia, o rastreio do Colo do Útero e começámos também a fazer o rastreio do Cancro do Cólon e Reto. No rastreio do Cancro da Mama caso seja  necessário há um encaminhamento para o IPO e no  Cancro do Cólon e Reto o encaminhamento faz-se diretamente para o Hospital de Braga. Nas mamografias e no rastreio do Cancro do Cólon e Reto, no âmbito da região norte, temos em proporção o maior número de mulheres rastreadas. Entre maio de 2018 e Fevereiro deste ano fizemos 9 377 mamografias. Sabemos que mais de 70% da população está a ser seguida. No que diz respeito ao cancro do Cólon e Reto temos no ano passado 8 221 utentes (mulheres) que fizeram o rastreio.

São quatro as grandes LINHAS DE ORIENTAÇÃO ESTRATÉGICA definidas pelo Conselho Diretivo da ARS Norte, que regerão a conduta da ARS Norte no período de 2017-2019.

  • Garantir o acesso aos cuidados de saúde considerados adequados à satisfação das necessidades da população da região norte,
  • Reforçar a boa governação do SNS garantindo a sua sustentabilidade
  • Melhorar a capacidade resolutiva dos serviços de saúde afetos à ARS Norte
  • Melhorar a comunicação interna e externa, em ordem à prestação de um serviço mais próximo do cidadão

Falávamos há pouco de futuro e eu recordava uma frase que me disse a propósito do pouco dinheiro que o ACES recebe. Como conseguem contornar esse grande problema e ainda assim dar resposta aos milhares de utentes da zona de Braga?

Com a extinção das SRS, criaram-se os Agrupamentos de Centros de Saúde que têm por missão garantir a prestação de cuidados de saúde primários à população de determinada área geográfica. Para cumprir a sua missão, os ACES desenvolvem actividades de promoção da saúde e prevenção da doença, prestação de cuidados na doença e ligação a outros serviços para a continuidade dos cuidados.

O ACeS tem um orçamento económico que deve centrar-se na contenção e racionalização de custos, procurando atingir uma maior eficiência e efetividade, aumentando a participação do ACeS e das unidades funcionais no cumprimento dos objetivos estipulados.

Este ano queremos envolver o município, como representante da comunidade na discussão da tutela.

Considera que o Aces tem o reconhecimento que lhe é devido?

Como descrito anteriormente, o ACeS tem como objetivo garantir a prestação de cuidados de saúde primários à população, procurando manter os princípios de equidade e solidariedade para que todos os grupos populacionais participem e tenham um conhecimento global de forma abrangente do funcionamento do ACeS,

inserindo-se numa cultura de transparência.

O Bilhete de Identidade dos Cuidados de Saúde Primários (BI-CSP) visa constituir-se como modelo de referência para a gestão do conhecimento e desenvolvimento sustentado da governação clínica e de saúde no âmbito dos Cuidados de Saúde Primários (CSP), de forma a contribuir para a transparência no SNS, através da promoção e garantia de uma cultura de prestação de contas, melhoria contínua do seu desempenho, integração e disponibilização de informação e estimulo à criatividade e inovação.

Há sempre falta de positivismo nos portugueses, e é certo que não podemos viver no idealismo. Sente por isso a necessidade de transmitir mais reforços positivos? Acha que esta futura parceria com a CMB pode ajudar nesse sentido?

A parceria é efectiva, Eu entendo que o estado deve trabalhar como um só. Independentemente do poder ser central ou local, deve verificar-se uma sinergia de esforços.

 

 

 

 

 

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